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Mais que uma biblioteca

por André de Almeida

 

            A Biblioteca Popular de Botafogo Machado de Assis pertence à rede municipal de bibliotecas, antigo projeto da secretaria de cultura. Ela conta com um acervo de mais de 3000 obras, além de jornais, revistas e cerca de 150 filmes

em formato VHS. A biblioteca possui espaço para leitura, pesquisa e acesso à internet. Ao cadastrar-se, o usuário recebe um cartão do projeto BibliOn, que permite pesquisar na rede virtual, antes é preciso fazer um agendamento.

           

Ana Magalhães é administradora do local e, para ela, apesar da quase ausência de divulgação, a biblioteca recebe diariamente muitos freqüentadores. Ela disse:

           

            – Nós atendemos semanalmente quase 100 pessoas, entre empréstimos e devoluções, sem falar nos que lêem aqui mesmo.

 

            A administração disse que muitos alunos da rede pública de ensino fazem seus trabalhos escolares na biblioteca por não possuírem muitos recursos. O sistema BibliOn, com quase cinco anos, auxilia ainda mais esses jovens.

           

            No local são oferecidos, para os usuários, cursos de teatro, inglês, espanhol e artesanato. O espaço é aberto para artistas de Botafogo poderem apresentar músicas e poesias gratuitamente. A aposentada e moradora do bairro, Íris de Castro, acredita que a biblioteca é mais do que livros:

 

            – A biblioteca é muito boa. Eu leio pouco, mas agora faço artesanato e inglês aqui.

 

            Alguns usuários que fizeram se conheceram no lugar começaram a emprestar livros entre si, e Ana estuda uma forma de transformar essa prática num projeto. Desde a segunda quinzena de novembro, o local está fechado devido a obras. A administração informou que a biblioteca receberá cerca de 500 livros para o acervo, por isso é necessário uma reforma no espaço. O término das obras está previsto para o fim de dezembro.

           

            A biblioteca Popular de Botafogo está localizada na Rua Farani, 53, e funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas. Os cursos oferecidos custam entre R$10 à R$20. Para se cadastrar é preciso levar duas fotos 3×4, o documento de identidade e comprovante de residência. Nos casos de cadastro de menores de idade, o responsável legal deve ser o titular.

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Favela também é cultura

Dona Marta

Vista do morro Dona Marta

  Por Sarah Lemos Josué

Os moradores se referem à favela como Santa Marta por causa de uma igreja construída no alto do morro pelo Padre Veloso nos anos 30. O nome oficial, Dona Marta, possui duas versões. Uma delas afirma que o Padre Clemente (que originou o nome da Rua São Clemente) quis homenagear sua mãe que se chamava Marta, batizando o nome de um dos morros das suas terras com o nome dela. A outra versão diz que toda a localidade pertencia a uma senhora fazendeira de nome Marta que era chamada de Dona Marta, que continua sendo o nome mais usado, devido também ao crescimento de evangélicos na comunidade.

A favela ficou conhecida no mundo inteiro quando o diretor Spike Lee a escolheu para servir de cenário para o clipe “They don’t care about us” de Michael Jackson, em 1995. Outros dois momentos marcantes foram a guerra entre os traficantes Cabeludo e Zaca nos anos 80 e a prisão de Marcinho VP em 2000.

            A empregada doméstica Cleonice da Costa diz que os próprios moradores organizam suas atividades já que “ninguém tem condição de ir aos mesmos lugares que os outros moradores de Botafogo. O governo não ajuda”. Segundo ela há a quadra do G.R.E.S. Mocidade Unida de Santa Marta, na Rua Jupira, 72, onde acontecem as principais atividades desportivas, culturais e sociais da favela, desde o ensaio da escola de Samba até o Baile Funk, um dos melhores da zona sul, que foi proibido pela Policia Militar. Poucos metros acima, está localizado o espaço onde as crianças gostam de jogar futebol e taco, o Cantão. No alto do morro, está o campinho, que é uma quadra de futebol de areia e o mais tradicional da praça esportiva, o campo do tortinho, localizado atrás do palácio da cidade.

Na próxima sexta-feira, dia 1º de dezembro, vão se apresentar no Bar do Jorginho os grupos “Filhos de Marta”, de chorinho e “Se Risca Pega Fogo” de forró. O Bar fica no final da Rua Oswaldo Seabra, no pico do morro. O evento começa às 15 horas e a entrada é gratuita.

Casarões como centros culturais em potencial

Casarão

 Casarão onde funcionará o Projeto Daros

por Sarah Lemos Josué

 

Botafogo é conhecido como “bairro de passagem”. As duas avenidas principais, São Clemente e Voluntários da Pátria, fazem uma ligação estratégica entre diversos bairros da zona sul com o Centro, causando nos horários de pico, um trânsito intenso.

Por outro lado, possui três grandes shoppings, seis cinemas, a casa de show mais tradicional da cidade, o Canecão, diversos bares e boates como o Drinkeria Maldita e a Casa da Matriz. Também tem crescido a quantidade de teatros e centros culturais, como a Casa de Rui Barbosa, o Teatro Poeira, o Museu do Índio e o Tempo Glauber.

 

O bairro possui muitos casarões com potencial para virar espaços de difusão de arte e cultura, como o que está localizado na Rua General Severiano, onde funcionava o Colégio Anglo-Americano até 2003. Agora o casarão tombado dará lugar a um centro de arte latino-americano, a Casa Daros. O projeto é do arquiteto Paulo Mendes da Costa e contará com cerca de mil obras de cem artistas latino-americanos, além de palestras e exibição de filmes. A Casa Daros será um grande presente para o bairro, além de estreitar o contato dos brasileiros com a cultura dos nossos vizinhos.

 

Um outro casarão, de 1910, localizado na Rua Conde de Irajá 253, entre a Voluntários da Pátria e a São Clemente inaugurou a nova sede da Cia. de Teatro Contemporâneo. O lugar é composto de uma sala para apresentação de cem lugares e um bar com área a céu aberto. A aquisição do novo espaço permitirá que a Cia. desenvolva suas atividades de pesquisa de linguagem, além de aulas de teatro, dança, canto e demais atividades artísticas para suas peças. Os membros da Cia. pretendem fazer do espaço um pólo gerador de manifestações artístico-culturais inovadoras.

Canecão: Ontem, hoje e amanhã

por Thiago Castanho de Carvalho

               

Grandes shows que marcaram a música e até a História do país já foram apresentados no bairro de Botafogo. É impossível falar em espaços de shows no Rio sem citar o famoso Canecão.

A casa, inicialmente, foi criada em 1967 para ser uma grande cervejaria, mas não demorou muito tempo até que encontrasse sua verdadeira vocação. Na época em que o mundo, o Brasil e o Rio de Janeiro fervilhavam culturalmente, o Canecão deu espaço à música brasileira que é, até hoje, um dos maiores produtos de exportação do país.

Em dois anos, a casa de shows já havia abrigado apresentações de nomes como Elis Regina, Vinicius de Morais, Tom Jobim, Clara Nunes e Eliseth Cardoso. Marca registrada dos primeiros anos foram também os bailes de carnaval. Mesmo sendo um espaço conceituado e moderno, seus donos, em 1969 decidiram modernizá-lo ainda mais. Para isso, foram comprados projetores de cinema e sistemas de som e de luz de primeiríssima geração para a época.

Depois de o Canecão sediar uma parte importante da história cultural brasileira, Ronaldo Bôscoli, grande nome da Bossa Nova, diria: “Aqui se escreve a História da Música Popular Brasileira”. A frase, feita em um momento emocionado de Bôscoli, é ainda hoje ostentada com orgulho na entrada da casa.

Mas não só de espetáculos nacionais viveu a casa. Por lá já passaram grandes nomes da música estrangeira e também apresentações circenses. Orquestras, Grupos de dança e cantores como James Brown marcaram presença no mais famoso palco do Brasil. Além disso, aquele palco nunca teve o compromisso de ser elitista ou de ser estritamente artístico, tendo aberto espaço para grupos populares e, em alguns casos, para músicos e grupos mais comerciais, de qualidade duvidosa.

 

A ecleticidade da casa continua presente como se percebe na apresentação de dança com Carlinhos de Jesus e Ana Botafogo a ser realizada ainda este ano e também com espetáculo teatral “Terça Insana”, sucesso em São Paulo, que chega ao Rio em breve.

 

O Canecão fica na Avenida Venceslau Brás, 215.