Teatro inovador em Botafogo

Cia De Teatro

Cia de Teatro Contemporâneo

por Vanessa Manhães

 

             A Companhia de Teatro Contemporâneo existe há oito anos e a cerca de dois anos e meio está localizada em Botafogo, na Rua Conde de Irajá. O grupo começou como um projeto pessoal de Dinho Valladares, atual diretor. Anteriormente chamado de O Circo, o projeto visava uma apresentação contemporânea de peças consagradas, mas com a formação da companhia as atividades se expandiram.

            A equipe conta com cinco integrantes, que além de atuarem nas apresentações, dão aulas de interpretação, expressão corporal e história do teatro. Não existe um método pedagógico fixo, cada professor desenvolve seu estilo. Os cursos não possuem uma duração determinada, como explica Dinho:

            – Nós incentivamos os alunos a pesquisarem e participarem ativamente das aulas. Queremos estimular a produção teatral tanto dos alunos quanto da companhia.

            Além das aulas, são organizados espetáculos e campeonatos de improvisação. Nesses campeonatos, a platéia decide qual ator teve a melhor performance. As apresentações ficam entre R$ 15 à R$ 20, e os outros eventos costumam custar R$10.

            Sem patrocínio, o grupo se sustenta com a verba das apresentações e dos cursos, o que atrapalha a divulgação e a implementação de novos projetos, segundo o diretor. Para dezembro estão programadas as seguintes peças: A ópera do malandro, As domésticas, Sonho de uma noite de verão e O bem amado.

            A Companhia de Teatro Contemporâneo fica na Rua Conde de Irajá, 253. As apresentações acontecem às sextas-feiras e aos sábados, das 18 às 22 horas.

 

Link: www.ciadeteatrocontemporaneo.com.br

Os Cinemas de Rua de Botafogo

por Thiago Castanho de Carvalho

O bairro de Botafogo possui, entre suas muitas opções culturais, cinemas para todos os gostos. As opções são: o Espaço Unibanco, o Estação Botafogo, o Unibanco Arteplex e ainda as opções nos shoppings.

Bem no coração do bairro, na Rua Voluntários da Pátria, está localizado o Estação Botafogo. O local é parte do grupo Estação de cinemas e guarda a tradição e a magia dos cinemas de rua, que eram os únicos antes da chegada das grandes salas de exibição e dos shoppings. “Cinema na rua é muito melhor. É muito menos confusão”, disse Joana de Souza, comprando pipocas pouco antes de entrar na fila para assistir ao filme em exibição. “Você desce do seu prédio e não precisa se arrumar nem pegar carro. Em pouco tempo você já está assistindo ao filme”, completa.

Mais adiante, ainda na Voluntários da Pátria, situa-se o Espaço Unibanco de Cinema. O espaço é um reduto de cinéfilos e apreciadores do cinema mais artístico e menos comercial. Filmes nacionais e europeus estão sempre em cartaz por lá. É um dos únicos lugares onde se pode ver, por exemplo, “O Céu de Suely”, filme que foi o destaque do Festival do Rio de Cinema deste ano.

A aura “cult” e charmosa deve-se, ainda, à pequena pracinha interna que conta com uma cafeteria e uma livraria que dão um ar blasé ao local. Ainda assim, o despojamento impera como nos demais cinemas de rua. O estilo cultural, porém simples, garante público cativo.

Inaugurado a menos de um ano, o Unibanco Arteplex é um imenso espaço com salas de cinema, na Praia de Botafogo, perto do Botafogo Praia Shopping. Os filmes exibidos são aqueles chamados de “Cinema-Pipoca”, que tem mais comprometimento com a diversão do que com a arte. Por ser uma incrível opção de lazer para as famílias nos fins-de-semana, ocorre uma certa confusão de carros nesses dias no estacionamento rotativo ao lado. Não são raras as vezes em que só entra um carro quando outro sai. Passado o estresse do estacionamento, é só comprar um saco de pipocas e assistir a algum filme, sem muito compromisso.

Completando as opções estão ainda os cinemas dentro dos shoppings. São eles o Cinemark Botafogo dentro do Botafogo Praia Shopping e também os cinemas do Rio Sul e de Plaza Shopping.

Mais que uma biblioteca

por André de Almeida

 

            A Biblioteca Popular de Botafogo Machado de Assis pertence à rede municipal de bibliotecas, antigo projeto da secretaria de cultura. Ela conta com um acervo de mais de 3000 obras, além de jornais, revistas e cerca de 150 filmes

em formato VHS. A biblioteca possui espaço para leitura, pesquisa e acesso à internet. Ao cadastrar-se, o usuário recebe um cartão do projeto BibliOn, que permite pesquisar na rede virtual, antes é preciso fazer um agendamento.

           

Ana Magalhães é administradora do local e, para ela, apesar da quase ausência de divulgação, a biblioteca recebe diariamente muitos freqüentadores. Ela disse:

           

            – Nós atendemos semanalmente quase 100 pessoas, entre empréstimos e devoluções, sem falar nos que lêem aqui mesmo.

 

            A administração disse que muitos alunos da rede pública de ensino fazem seus trabalhos escolares na biblioteca por não possuírem muitos recursos. O sistema BibliOn, com quase cinco anos, auxilia ainda mais esses jovens.

           

            No local são oferecidos, para os usuários, cursos de teatro, inglês, espanhol e artesanato. O espaço é aberto para artistas de Botafogo poderem apresentar músicas e poesias gratuitamente. A aposentada e moradora do bairro, Íris de Castro, acredita que a biblioteca é mais do que livros:

 

            – A biblioteca é muito boa. Eu leio pouco, mas agora faço artesanato e inglês aqui.

 

            Alguns usuários que fizeram se conheceram no lugar começaram a emprestar livros entre si, e Ana estuda uma forma de transformar essa prática num projeto. Desde a segunda quinzena de novembro, o local está fechado devido a obras. A administração informou que a biblioteca receberá cerca de 500 livros para o acervo, por isso é necessário uma reforma no espaço. O término das obras está previsto para o fim de dezembro.

           

            A biblioteca Popular de Botafogo está localizada na Rua Farani, 53, e funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas. Os cursos oferecidos custam entre R$10 à R$20. Para se cadastrar é preciso levar duas fotos 3×4, o documento de identidade e comprovante de residência. Nos casos de cadastro de menores de idade, o responsável legal deve ser o titular.

Favela também é cultura

Dona Marta

Vista do morro Dona Marta

  Por Sarah Lemos Josué

Os moradores se referem à favela como Santa Marta por causa de uma igreja construída no alto do morro pelo Padre Veloso nos anos 30. O nome oficial, Dona Marta, possui duas versões. Uma delas afirma que o Padre Clemente (que originou o nome da Rua São Clemente) quis homenagear sua mãe que se chamava Marta, batizando o nome de um dos morros das suas terras com o nome dela. A outra versão diz que toda a localidade pertencia a uma senhora fazendeira de nome Marta que era chamada de Dona Marta, que continua sendo o nome mais usado, devido também ao crescimento de evangélicos na comunidade.

A favela ficou conhecida no mundo inteiro quando o diretor Spike Lee a escolheu para servir de cenário para o clipe “They don’t care about us” de Michael Jackson, em 1995. Outros dois momentos marcantes foram a guerra entre os traficantes Cabeludo e Zaca nos anos 80 e a prisão de Marcinho VP em 2000.

            A empregada doméstica Cleonice da Costa diz que os próprios moradores organizam suas atividades já que “ninguém tem condição de ir aos mesmos lugares que os outros moradores de Botafogo. O governo não ajuda”. Segundo ela há a quadra do G.R.E.S. Mocidade Unida de Santa Marta, na Rua Jupira, 72, onde acontecem as principais atividades desportivas, culturais e sociais da favela, desde o ensaio da escola de Samba até o Baile Funk, um dos melhores da zona sul, que foi proibido pela Policia Militar. Poucos metros acima, está localizado o espaço onde as crianças gostam de jogar futebol e taco, o Cantão. No alto do morro, está o campinho, que é uma quadra de futebol de areia e o mais tradicional da praça esportiva, o campo do tortinho, localizado atrás do palácio da cidade.

Na próxima sexta-feira, dia 1º de dezembro, vão se apresentar no Bar do Jorginho os grupos “Filhos de Marta”, de chorinho e “Se Risca Pega Fogo” de forró. O Bar fica no final da Rua Oswaldo Seabra, no pico do morro. O evento começa às 15 horas e a entrada é gratuita.

Casarões como centros culturais em potencial

Casarão

 Casarão onde funcionará o Projeto Daros

por Sarah Lemos Josué

 

Botafogo é conhecido como “bairro de passagem”. As duas avenidas principais, São Clemente e Voluntários da Pátria, fazem uma ligação estratégica entre diversos bairros da zona sul com o Centro, causando nos horários de pico, um trânsito intenso.

Por outro lado, possui três grandes shoppings, seis cinemas, a casa de show mais tradicional da cidade, o Canecão, diversos bares e boates como o Drinkeria Maldita e a Casa da Matriz. Também tem crescido a quantidade de teatros e centros culturais, como a Casa de Rui Barbosa, o Teatro Poeira, o Museu do Índio e o Tempo Glauber.

 

O bairro possui muitos casarões com potencial para virar espaços de difusão de arte e cultura, como o que está localizado na Rua General Severiano, onde funcionava o Colégio Anglo-Americano até 2003. Agora o casarão tombado dará lugar a um centro de arte latino-americano, a Casa Daros. O projeto é do arquiteto Paulo Mendes da Costa e contará com cerca de mil obras de cem artistas latino-americanos, além de palestras e exibição de filmes. A Casa Daros será um grande presente para o bairro, além de estreitar o contato dos brasileiros com a cultura dos nossos vizinhos.

 

Um outro casarão, de 1910, localizado na Rua Conde de Irajá 253, entre a Voluntários da Pátria e a São Clemente inaugurou a nova sede da Cia. de Teatro Contemporâneo. O lugar é composto de uma sala para apresentação de cem lugares e um bar com área a céu aberto. A aquisição do novo espaço permitirá que a Cia. desenvolva suas atividades de pesquisa de linguagem, além de aulas de teatro, dança, canto e demais atividades artísticas para suas peças. Os membros da Cia. pretendem fazer do espaço um pólo gerador de manifestações artístico-culturais inovadoras.

Canecão: Ontem, hoje e amanhã

por Thiago Castanho de Carvalho

               

Grandes shows que marcaram a música e até a História do país já foram apresentados no bairro de Botafogo. É impossível falar em espaços de shows no Rio sem citar o famoso Canecão.

A casa, inicialmente, foi criada em 1967 para ser uma grande cervejaria, mas não demorou muito tempo até que encontrasse sua verdadeira vocação. Na época em que o mundo, o Brasil e o Rio de Janeiro fervilhavam culturalmente, o Canecão deu espaço à música brasileira que é, até hoje, um dos maiores produtos de exportação do país.

Em dois anos, a casa de shows já havia abrigado apresentações de nomes como Elis Regina, Vinicius de Morais, Tom Jobim, Clara Nunes e Eliseth Cardoso. Marca registrada dos primeiros anos foram também os bailes de carnaval. Mesmo sendo um espaço conceituado e moderno, seus donos, em 1969 decidiram modernizá-lo ainda mais. Para isso, foram comprados projetores de cinema e sistemas de som e de luz de primeiríssima geração para a época.

Depois de o Canecão sediar uma parte importante da história cultural brasileira, Ronaldo Bôscoli, grande nome da Bossa Nova, diria: “Aqui se escreve a História da Música Popular Brasileira”. A frase, feita em um momento emocionado de Bôscoli, é ainda hoje ostentada com orgulho na entrada da casa.

Mas não só de espetáculos nacionais viveu a casa. Por lá já passaram grandes nomes da música estrangeira e também apresentações circenses. Orquestras, Grupos de dança e cantores como James Brown marcaram presença no mais famoso palco do Brasil. Além disso, aquele palco nunca teve o compromisso de ser elitista ou de ser estritamente artístico, tendo aberto espaço para grupos populares e, em alguns casos, para músicos e grupos mais comerciais, de qualidade duvidosa.

 

A ecleticidade da casa continua presente como se percebe na apresentação de dança com Carlinhos de Jesus e Ana Botafogo a ser realizada ainda este ano e também com espetáculo teatral “Terça Insana”, sucesso em São Paulo, que chega ao Rio em breve.

 

O Canecão fica na Avenida Venceslau Brás, 215.

Um templo para um grande cineasta

por André de Almeida

 

            Fundado há mais de 15 anos para ser um centro de estudos da obra de Glauber Rocha, o Templo Glauber é uma boa opção para os cinéfilos cariocas. A instituição, que é administrada pela família do cineasta, fica num casarão de Botafogo. A atual sede foi doada pelo INSS e precisou passar por diversas reformas estruturais. Lúcia Rocha, responsável pelo espaço, conta que todo o telhado estava prestes a cair.

 

            O Templo Glauber possui um grande acervo que conta com filmes originais, roteiros, prêmios e até uma mesa de montagem usada pelo cineasta. Contudo, o espaço não se limita a ser um museu, há também cursos de cinema e palestras. O espaço realiza projeções de filmes semanalmente, tanto de Glauber quanto de outros autores, que pertençam preferencialmente ao Cinema Novo.

 

            A cinegrafia de Glauber Rocha será restaurada e digitalizada
em breve. Filmes como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” estão em fase final de produção. Lúcia Rocha disse:

            – Com a tecnologia atual, podemos restaurar e até colorir os filmes antigos. Isso vai ajudar na divulgação do espaço e da própria obra.

 

            A instituição oferece cursos de montagem, trilha sonora e roteiro para cinema. Os cursos duram, em média, um ano e as aulas acontecem duas vezes por semana. As projeções de filmes ocorrem terças e quintas-feiras, a partir das 19 horas, a entrada custa R$ 10. O Templo Glauber fica na Rua Sorocaba, 190, ao lado do Museu Villa-Lobos, e permanece aberto de segunda a sexta-feira, das 10 às 20 horas.

 

Link: http://www.tempoglauber.com.br/