
Oca construída no pátio do museu
Por Thiago Carvalho
Na aprazível Rua das Palmeiras, na casa de número 55 fica um importante espaço de cultura: O Museu do Índio. Sua relevância vai muito além do âmbito do bairro ou do município. O museu é, infelizmente, um dos pouco que tratam do tema, no Brasil.
Assim que se entra na área de exposições, vê-se a procedência dos visitantes. Norte-americanos, canadenses, holandeses e gente do Brasil inteiro passam por lá. As exposições sempre são renovadas e, portanto, os moradores de Botafogo podem visitar o espaço diversas vezes. O espaço começou a existir em 1953, no Maracanã e a partir de 78 mudou-se para o atual bairro, Botafogo. É uma vertente da FUNAI e conta com pesquisa de campo, antropólogos e indianistas. Lá, ainda exporta-se conhecimento sobre organização de outros projetos de cunho indigenista.
Segundo Sandra Rosa, museóloga que trabalha no local, o Museu do Índio é importantíssimo para o bairro como centro de cultura, informação e até lazer. É referência cultural, na medida em que é o mais famoso espaço dedicado a esta parcela sofrida do povo brasileiro, que tanto influenciou os hábitos do país. Como área de lazer, segundo ela, o museu é freqüentado por mães e babás, além de alunos e professores do Colégio Princesa Isabel, na mesma rua.
O museu faz programas específicos para idosos e crianças. A pesquisadora afirma que a visita de crianças ao museu é muito importante pois, a longo prazo, poderá ajudar a diminuir o preconceito. Segundo ela, a discriminação contra o índio está enraizada na sociedade brasileira. Ela cita, por exemplo, que certos livros aprovados pelo MEC ensinam nas escolas que o índio é preguiçoso, o que ofende a etnia indígena e o um terço da população brasileira que dela descende.
Os projetos voltados para crianças são constantes. “São feitas atividades antes da visita para envolver as crianças, já que sua percepção é diferente da dos adultos.” Diz Sandra Rosa. As exposições que mais agradam ao gosto dos pequenos freqüentadores são as que se podem tocar, mexer e entrar, como, por exemplo, as casas de povos indígenas montadas nos pátios do museu.
A exposição atual do museu é sobre o povo Wajãpi e o espaço funciona de terça a sexta, das 9h às 17h30min e aos sábados, domingos e feriados,das 13h às 17h.
Foto por Vanessa Manhães


